Jovens sofrem assédio sexual com vídeo de celular em ônibus


Casos aconteceram eu uma linha do Jardim Califórnia. Pelo menos três mulheres se viram constrangidas pelo mesmo homem


Uma estudante de Barueri, que preferiu não se identificar, foi assediada enquanto voltada de ônibus para casa. O caso aconteceu na noite de 20/6, por volta das 18h45, em uma linha municipal. A jovem, de 20 anos, moradora do Jardim Califórnia se viu diante de uma situação que, num primeiro momento, deixou-a sem ação.

Ela voltava para sua casa num ônibus da linha A166 Califórnia Circular 1 quando um homem sentou-se ao lado dela, e enquanto assistia vídeos e fotos pornográficas no celular, tentou chamar sua atenção com cutucões.

“Fiquei assustada e sem reação. Foi quando tive a ideia de fingir que estava ligando para alguém e contar o que estava acontecendo”, contou ao Barueri na Rede. Durante a ligação falsa, a estudante disse que iria procurar uma delegacia.

Ao ouvir as palavras da jovem, o agressor levantou e desceu rapidamente do ônibus, ficando no bairro Cruz Preta, segundo ela, em frente à Igreja Santa Cruz.

Acompanhada por uma amiga, a estudante foi até a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) no dia seguinte, e lá, segundo contou ao BnR a amiga – que cursa Direito –, depois de muita insistência da vítima, foi registrado o Boletim de Ocorrência. “Eu fui com ela na Delegacia da Mulher no dia seguinte e eles minimizaram a situação e não queriam fazer o BO, só fizeram porque eu sou estudante de Direito e pressionei até aceitarem. Disseram pra ela (a vítima) que ela devia ter mudado de lugar no momento do ocorrido”, queixou-se a amiga da jovem.

Na mesma semana, a moradora do Jardim Califórnia decidiu expor a história em suas redes sociais, e para sua surpresa, outras duas jovens a procuraram afirmando ter passado pela mesma situação, com o mesmo homem: “Isso aconteceu comigo também no ônibus Califórnia, vou ver se encontro a foto e te mando. O pior é que ele estava mostrando para o meu filho”, dizia um dos comentários publicados na página da estudante.

Além do relato da segunda mulher, elas teriam trocado fotos e concluído ser o mesmo agressor. Já a terceira jovem, que afirmou também ter sofrido o mesmo assédio, entrou em contato com vítima e disse ter se lembrado da situação ao ver a postagem, e afirmou ter ficado sem reação durante a situação e apenas ter fingido não ver o que estava acontecendo.

O BnR procurou a Delegacia de Defesa da Mulher para obter mais informações sobre o caso e foi informado de que a delegada titular estaria em um Fórum de Segurança Pública durante a semana, e assim não poderia responder aos questionamentos.

Entretanto foi confirmado com a DDM o registro de apenas um boletim de ocorrência. Para as outras possíveis vítimas, a orientação geral é para que elas procurem a delegacia e registrem queixa.

Quanto ao caso da estudante, o processo policial está em curso para que o acusado, que foi apontado como agressor pela vítima, seja intimado para prestar esclarecimentos.

Segundo o Direito Penal, o caso se enquadraria como Crime Sexual no Transporte Público. O texto diz: “nessas situações, vale dizer, quando ausentes a grave ameaça e a violência, a conduta do agente se encaixa no Artigo 61 da Lei de Contravenções Penais (“Importunação ofensiva ao pudor”), cuja redação é a seguinte: “Importunar alguém, em lugar público ou acessível ao público, de modo ofensivo ao pudor. Pena: multa”.

Por Ingrid Miranda