Diretora da Saúde chama médicos de "vagabundos"


Denúncia foi feita pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo. Segundo secretário José Carlos Vido, essa não é a opinião da Secretaria. "Maioria dos médicos trabalha até além do horário", afirma


A diretora do Departamento da Corregedoria da Secretaria da Saúde de Osasco, Rina Bissolati, referiu-se a médicos da rede municipal como “cambada de vagabundos que não quer trabalhar”. A frase foi dita durante uma reunião do Conselho Municipal de Saúde e motivou uma nota de repúdio por parte do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).

 “A categoria médica é a linha de Frente do Sistema Único de Saúde (SUS). Somos nós que lidamos com os pacientes de Osasco e o mínimo que a gestão deve fazer é nos tratar com respeito”, afirmou o presidente do Simesp, Eder Gatti. A ata da reunião, realizada no dia 2 de março, foi publicada na edição de 28 de março da Imprensa Oficial do Município de Osasco.

No texto completo, Rina faz essa referência em meio a uma discussão envolvendo a cobrança, por parte da prefeitura, para que os profissionais cumpram jornada integral de trabalho, já que alguns estariam trabalhando por menos tempo, em meio a “esquemas” com colegas.  “Coisa combinada é coisa combinada, contrato é pior ainda. Falaram: se fizerem isso todos os médicos vão pedir demissão, mas eu não acho que vão pedir demissão e se pedirem demissão vai ficar mais fácil de explicar para a população porque é uma cambada de vagabundos que não querem trabalhar, do que falar que tem médico, mas não atende a população. De qualquer forma mandei o recado, por que o Ministério Público está em cima e gostaria muito que aparecesse e pegasse esses”, afirmou.

Em entrevista ao Diário, o secretário municipal da Saúde, José Carlos Vido, afirmou que não participou da reunião e que não questionaria opiniões pessoais, mas que a frase dita por Rina não representa a opinião da secretaria.

“Não compartilhamos dessa opinião. Temos muito respeito pelos médicos, que são a principal mão de obra da secretaria”, destacou. Vido disse ainda que a prefeitura está cobrando o cumprimento da jornada integral, em um processo que conta, inclusive, com apoio do Conselho Regional de Medicina, mas que os “esquemas” de horário são feitos por uma pequena parcela dos profissionais da rede.

“Além disso, aqueles que não se ajustaram estão pedindo demissão, pois têm outros empregos nesse horário. Mas a grande maioria dos médicos da rede trabalha até além do horário”, completou. 
Fonte:Diário de Osasco