Depois das brigas das torcidas de Palmeiras e  Corinthians,(03/04), e que resultaram na morte de uma pessoa que passava na hora da confusão, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, reuniu-se com o vice-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Fernando Sollero, e com o promotor Paulo Castilho, além de delegados e desembargadores, e determinou que os clássicos de futebol em São Paulo terão torcida única até o final deste ano, ou seja, até 31 de dezembro deste ano,  a partir do próximo clássico a ser disputado no estado.

A medida, segundo o secretário, valerá inclusive para jogos entre os times paulistas na Libertadores da América e para torcidas de grandes clubes de outros estádios que vierem jogar em São Paulo no Campeonato Brasileiro. Além disso, o secretário anunciou que,deverão ser identificados os cerca de 50 torcedores que participaram dos confrontos e que todos eles serão banidos dos estádios, por um período que ainda não foi determinado. “Todos os que forem identificados, serão banidos de todos os jogos”, disse o secretário.
Em nota, a maior torcida do Corinthians Gaviões da Fiel emitiu uma Nota sobre o assunto.

Nota Oficial – Medidas tomadas após o clássico
Na última segunda-feira (4), a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, a Federação Paulista de Futebol e a Promotoria do Estado anunciaram algumas medidas que, segundo eles, são para coibir a violência nos estádios paulistas, algo que não podemos deixar de nos posicionar.
Antes de mais nada, reiteramos nossa TOTAL CONTRARIEDADE a qualquer ato de vandalismo e/ou violência. Nenhuma ação tem o incentivo ou consentimento por parte da diretoria dos Gaviões da Fiel Torcida.
Não assumimos a responsabilidade e autoria de brigas, principalmente por considerarmos que as mesmas não tem ligação direta a qualquer tipo de entidade.
Vivemos em um país onde a prática de chacinas de inocentes é recorrente, como a que vitimou 19 (ou mais) pessoas em Osasco e tirou de nós oito amigos do Pavilhão 9. Um país onde a guerra às drogas, posta a qualquer custo, mata crianças, como aconteceu com Matheus Santos Moraes, de 5 anos, em Magé-RJ, no último sábado (2). Um país onde mulheres, adolescentes e idosos apanham de homens adultos por divergências político-partidárias. Um país em que alguns pregam a intolerância religiosa por crenças distintas, culminando em ataques físicos, como acontecido com Kailane Campos, de 11 anos, apedrejada por ser candomblecista. Um país onde a desigualdade social é pano de fundo para que os números de criminalidade não apenas sejam alarmantes, mas que alcancem também o posto de maior população carcerária do mundo.
Em resumo, somos o país que tem 21 cidades entre as 50 mais violentas do planeta (dados do Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal, de 2015). Querer responsabilizar torcidas organizadas por uma violência que, infelizmente, já faz parte da realidade da nossa sociedade, é minimizar (senão ignorar) a problemática como um todo.
As brigas entre torcedores existem sim. Porém, não são simplesmente fruto de torcidas violentas, mas sim de uma sociedade que não apenas convive e aceita com estranha naturalidade essa violência, como dá ibope aos programas televisivos que tem como pauta única o sensacionalismo da violência. Os responsáveis por esse estado de coisas pouco se importam com a possibilidade de crianças serem telespectadores dos horrores diários.
Não sejamos hipócritas! A violência entre as torcidas é somente mais um reflexo da violência diária que assistimos permanentemente.
O que realmente nos surpreende (ou não) é a incompetência e passividade do Poder Público como um todo, que não apenas falha no esforço para punir de fato os INDIVÍDUOS que cometem atos violentos, como quer transferir a responsabilidade de tais punições aos dirigentes de torcidas. Querem retirar do Poder Público o que é de SUA responsabilidade.
Surpreende-nos também a série de “coincidências” que antecederam o clássico, como uma invasão autorizada de policiais à sede dos Gaviões da Fiel Torcida, um dia após termos realizado um grande protesto na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, pedindo por uma CPI das Merendas.
Chama-nos a atenção também que um suspeito das agressões contra diretores dos Gaviões da Fiel tenha sido apresentado às vésperas de um clássico entre Palmeiras e Corinthians como suspeito de integrar uma torcida organizada palmeirense. Assim como nos desperta curiosidade a falta dos planos de ações preventivas por parte da promotoria e da PM para coibir e evitar possíveis encontros entre torcedores.
Além disso, causa estranheza o fato de tal cruzada repentina pelo fim das organizadas vir “coincidentemente” após meses de intermináveis protestos por parte dos Gaviões da Fiel contra alicerces conservadores da sociedade, não habituados com a contestação – como FPF, CBF, Rede Globo, dirigentes do Corinthians e o Deputado Fernando Capez, ex-promotor e um dos investigados no esquema das Merendas.
Generalizar o problema da violência apenas com a proibição das organizadas em estádios paulistas trata-se não apenas de punir quem nada fez, mas deixar de punir quem de fato tenha cometido atos violentos. A falta de punições individuais, investigações inteligentes, identificações nos estádios, e várias outras medidas, são o que de fato estimulam torcedores mal intencionados.
Proibir a entrada de camisas, instrumentos, bandeiras e afins, não pacificará magicamente a cidade. Proibir o repasse direto de ingressos dos clubes para as torcidas (algo que NÃO ACONTECE entre Sport Club Corinthians Paulista e Gaviões da Fiel) não evitará que torcedores violentos adentrem os estádios. Colocar clássicos com torcida única não coibirá o livre trânsito de torcedores rivais em lugares distantes dos estádios, conforme já acontece.
Tais medidas não apenas são ignorantes e sem qualquer eficácia prática, como tem um total apelo midiático, buscando dar uma resposta bem rasa a uma opinião pública influenciada por distorções e manipulações por parte de uma grande mídia que, conforme é de conhecimento geral, defende seus interesses próprios.
Os Gaviões da Fiel se colocam à disposição do Poder Público e órgãos interessados para discutir medidas que realmente podem ter resultados, diferente das que estão sendo implementadas sem qualquer estudo real ou diálogo com os principais envolvidos.
As ações que anunciaram não se diferem das adotadas anos atrás, que se comprovaram completamente inúteis no que diz respeito ao combate à violência entre torcedores. Repetir as mesmas ações de outrora é dar intermináveis murros em ponta de faca.
Toda e qualquer generalização é burra e não a aceitaremos passivamente.
Aos torcedores (todos eles), pedimos a frieza de analisar calmamente todos os aspectos a cerca da questão, não aceitando cegamente a opinião imposta por uma mídia influenciável, que tem total interesse em acabar conosco.
E tenham a certeza de que, seja pelo motivo que for, os Gaviões da Fiel não acabou e jamais acabará. Vocês podem acreditar, nossa corrente não será quebrada!
Pelo futebol popular, pelas festas nas arquibancadas e pela não-generalização dos torcedores organizados.
Diretoria dos Gaviões da Fiel Torcida. 
A.S