Vereadores da Câmara de Barueri livram Saulo Góes de processo de cassação


Os questionamentos da Câmara Municipal de Barueri em relação à Lagoa de Carapicuíba renderam mais um episódio de intensos debates na sessão ocorrida na última terça-feira, 2 de junho. Representantes jurídicos da administração do local enviaram ofício ao Legislativo pedindo instauração de processo administrativo contra o vereador Saulo Góes (PRB), o que poderia render até mesmo um processo de cassação.

Eles alegam que o parlamentar cometeu abuso de autoridade em 24 de abril quando o mesmo promoveu um protesto na Lagoa pedindo intervenção do local. Uma das queixas é de que Saulo utilizou veículo oficial para promover a ação.

Contudo, vereadores entraram no impasse se aceitariam ou não a denúncia contra Saulo. Chico Vilela (PTB), líder do governo na Câmara, propôs que a decisão fosse tomada apenas na semana que vem para que os demais parlamentares pudessem fazer melhor análise dos fatos constados no documento. Porém, o pedido não prosperou e, no final, 15 dos 21 vereadores decidiram pelo arquivamento do processo. 

O primeiro a sair em defesa de Saulo foi Toninho Furlan (PMDB). Segundo o peemedebista, embora a atitude do colega tenha sido isolada, foi justificável porque toda indagação enviada aos administradores da Lagoa é ignorado. “Só para ter conhecimento, a secretaria de Meio Ambiente não tinha acesso à Lagoa e não permitiam que ninguém entrasse. Uma ação contra o Saulo Góes é para montar uma cortina de fumaça e desviar o foco”, apostou. 

Antigo secretário de Meio Ambiente, Bidu (sem partido) alerta para as irregularidades encontradas no local quando outros vereadores inspecionaram o local. “Eles falam que lá é uma área particular, mas esquecem de dizer que vem de uma concessão (...) Não se deve pedir a cabeça do vereador. Nós da comissão do Meio Ambiente deveríamos esmiuçar com o secretário do setor e fazer uma ação conjunta para apurar os fatos. Eles não estão mexendo com um vereador, mas com a Câmara Municipal”, exaltou. 

Companheiro de partido de Saulo, Bau (PRB) lembrou-se da poluição encontrada no local classificando como um “depósito de lixo”. Para ele, não se deve tentar prejudicar um colega vereador apenas por fiscalizar irregularidades encontradas. 

Saulo por sua vez frisou que não poderia ficar de braços cruzados diante de uma situação que avaliou como sendo irregular. “O trabalho que tem que ser feito é esse, uma vez que recebi uma denuncia, é preciso fiscalizar”, disse na tribuna. 

Situada entre os municípios de Barueri e Carapicuíba, a “briga” entre administradores da Lagoa e vereadores não é recente. Alguns parlamentares alegam que a poluição na área atinge níveis alarmantes e citam que o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado entre prefeitura, Ministério Público, o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e sua contratada, a Fral Consultoria, não foi cumprido.

No ano passado, a Câmara instaurou uma Comissão de Assuntos Relevantes especialmente para avaliar o caso. Em dezembro, entregou seu parecer final sugerindo que as atividades da lagoa deveriam cessar imediatamente. Para agravar a situação o grupo acusou tanto o DAEE quando a Fral teriam sido omissos com a situação.

Em relação ao futuro, Saulo garantiu ao Diário da Região que levará a situação adiante. 
As informações são do jornal Diário da Região .