Universidades públicas de SP podem suspender aulas em caso de rodízio de água


As universidades públicas estaduais e federais do Estado de São Paulo já consideram a suspensão de atividades de pesquisa e de aulas em caso de rodízio no abastecimento de água.

A informação foi dada em uma coletiva na manhã desta terça-feira (3) em que estavam presentes reitores e vice-reitores da USP, Unesp, Unicamp, Unifesp, Universidade Federal do ABC, Federal de São Carlos e Instituto Federal de São Paulo.

Os reitores anunciaram a criação de um grupo técnico-acadêmico para discutir soluções para a crise hídrica do Estado. O grupo vai também pedir aos órgãos competentes informações para a criação de seus planos de contingência.

"Precisamos saber se haverá um rodízio ou não, de quanto em quanto tempo será o abastecimento, como serão abastecidas nossas instalações [como os hospitais e ambulatórios] e as instalações de ensino para fazer nossos planos", afirmou a reitora da Unifesp, Soraya Smaili.

Os reitores mostraram especial preocupação com o abastecimento dos hospitais universitários, que são prioritários em caso de falta d'água. 

O Hospital São Paulo, sob responsabilidade da Unifesp, por exemplo, faz 3 milhões de atendimentos de consulta ao ano. De acordo com a reitora, o governo do Estado garantiu o abastecimento prioritário da instituição. A informação até o momento não foi confirmada pela Sabesp ou pela Secretaria de Recursos Hídricos.

Outro ponto que pode ser afetado são as pesquisas das universidades. "Temos de pensar também na manutenção de animais e da irrigação de fazendas da universidade, em que são feitas pesquisas", salientou a vice-reitora da Unesp, Marilza Rudge.


Universidades querem dinheiro para obras emergenciais
A partir da próxima semana, o painel técnico formado por pesquisadores das sete instituições deve se reunir para apontar possíveis soluções para a crise hídrica do Estado e indicar ações de economia de água e energia. 

Além disso, o painel também se responsabilizará por pedir liberação de recursos imediatos para obras de adequação das universidades para a redução de seu gasto de água e mudanças no abastecimento. 

A UFABC, por exemplo, começou há cinco meses um plano de redução de gastos que incluiu a mudança de torneiras da instituição, a adoção de limpeza a seco e a reutilização da água de obras civis para o paisagismo. 

Há ainda um plano para utilizar água de reúso nos vasos sanitários. No entanto, para iss,o a instituição precisa de dinheiro para as obras. "Com os cortes no repasse federal, a universidade hoje não tem dinheiro para colocar este plano em andamento", diz o reitor Klaus Capelle.