Câmara Municipal de Barueri inicia ano legislativo com “bate-boca”


O ano legislativo começou tenso em algumas Câmaras Municipais da Região Oeste da Grande São Paulo, como foi constatado na primeira sessão ordinária do ano em Barueri, ocorrida na terça-feira, 3 de fevereiro. 

No dia, seriam anunciados os integrantes das dez comissões da Casa, no entanto, houve discórdias em relação ao método de eleição da Comissão de Finanças e Orçamentos, o que gerou vários bate-bocas e troca de acusações entre os parlamentares. O resultado desse impasse foi a anulação da votação de todas as comissões da Câmara barueriense. 

Os atritos começaram quando o vereador Miguel de Lima (PDT) apresentou Requerimento de impugnação do resultado da eleição que elegeu os novos membros da Comissão de Finanças e Orçamentos. Segundo ele, a disputa não atendeu o critério do regimento interno, que determina a utilização de cédulas. 

Em vez disso, foi feita declaração verbal de cada parlamentar. Porém, a justificativa não convenceu a todos os vereadores, e alguns deles se revoltaram com o fato, acusando a prefeitura de mexer os pauzinhos para interferir no andamento da Câmara. Com isso, alguns parlamentares sugeriram que se cancelasse também o resultado da votação das demais comissões, com base de que todas foram definidas internamente pelos vereadores por meio de votos verbais. 

Até então, os eleitos da Comissão de Finanças e Orçamentos foram os vereadores Jô (PV) como presidente, Júnior Munhoz (PRP) para vice e, Toninho Furlan (PMDB), como relator. Contudo, segundo conversas de bastidores, a presença do peemedebista, que é irmão do ex-prefeito Rubens Furlan, teria desagradado o Executivo. No último biênio, a comissão era presidida por Miguel de Lima, que tentava se manter no cargo. 

Ao abordar o porquê o método da eleição dessa comissão estaria sendo questionado, o presidente Carlinhos do Açougue (DEM) lembrou que as demais foram compostas de comum acordo e quando não há esse consenso, aí deverá ser aplicada a lei. Carregando nas críticas, Toninho Furlan alegou que os demais vereadores estavam sofrendo "pressão" para mudar a composição da comissão e questionou os colegas que aceitaram aprovar o Requerimento de Miguel de Lima.

"Hoje estamos ai sofrendo uma manobra brusca do vereador Miguel de Lima e do Executivo. Deixo um lembrete, nenhum vereador pediu o cancelamento das outras comissões, então por que essa comissão de Finanças? O que tem a esconder?", insinuou. 

Para Saulo Góes (PRB), não havia lógica em pedir cancelamento de uma só comissão. Ele se ateve ao fato de que durante a escolha dos parlamentares, estavam presentes três representantes do corpo jurídico da Câmara. "Tanto é que nossa diretora legislativa acompanhou e fez a chamada [regimental]. 

Essa votação foi legal", insistiu. Mas o clima foi esquentando. Miguel de Lima chegou a acusar Toninho de manipulação e reforçou que a eleição teria sido ilegítima e "não haveria o que contestar". 

Em seu discurso, sem citar nomes de imediato, ele falou da existência de um suposto grupo de vereadores na Câmara que estaria se articulando para comandar as comissões de Constituição e Justiça além da de Finanças e assim, conspirar contra o prefeito Gil Arantes. "O que esse pessoal quer é o quanto pior, melhor, para eles, é fundamental que o prefeito não consiga trabalhar", disse. 

Ainda no embalo das críticas, Miguel comentou que a diretora legislativa da Casa. Adriana Fróes, teria alertado que o procedimento da votação não era correto, e que mesmo assim o vereador Saulo teria a mandado "calar a boca". 

Indignado com a afirmação de Miguel, Saulo tratou de responder em seguida. Irritado, ele negou que teria tratado a diretora de tal maneira. "Saulo era um dos vereadores que estava tramando contra o prefeito Gil Arantes. Estamos aqui para tentar fazer o que é certo", atribuiu Miguel de Lima.

Júnior Munhoz colocou lenha na fogueira ao acusar Miguel de Lima de tentar ganhar no "tapetão". E recordou que a eleição para o mesmo cargo na mesma comissão foi realizada da mesma forma. “Se quer anular essa votação tem que anular todos os atos de 2013, que está errado também. 

Agora, não podemos mudar de opinião como muda de cueca”, ironizou. Por fim, Jô, que seria o presidente da comissão que causou toda a polêmica, aproveitou o momento para fazer seu discurso e, de certo modo, um desabafo. Ele fez questão de dizer que está ao lado do prefeito Gil Arantes. 

“Querem me empurrar pra oposição? (...) discordo do pedido de anulação porque você (Miguel) perdeu nos votos, eu soube articular e ganhei a eleição. Se for o caso, disputo de novo. (...) Mas a Câmara não pode rachar, tem que trabalhar em conjunto com o Executivo”, amenizou. 

Com a anulação das escolhas das comissões, o presidente Carlinhos do Açougue definiu as novas votações para, possivelmente, na próxima semana.

Considerada umas das mais importantes da Casa, a Comissão de Finanças e Orçamento é responsável por ações cruciais no andamento da cidade, entre suas atribuições, ela é encarregada de elaborar o parecer sobre as contas anuais dos prefeitos.
Por:Diário de Osasco