O envolvimento da JDA, empresa pertencente ao ex-ministro José Dirceu, com o esquema investigado pela Operação Lava Jato receberá do PT tratamento semelhante ao que foi dado ao caso Projeto, consultoria que tem como dono o também ex-ministro Antonio Palocci. A revelação de que a Projeto lucrou R$ 20 milhões em 2010 levou à queda de Palocci da Casa Civil do governo Dilma Rousseff.

A estratégia petista consiste em tratar o caso de Dirceu como um assunto particular, sem relações políticas ou partidárias. Portanto, mantido o cenário atual, o partido não vai, por ora, se manifestar oficialmente, tampouco proibirá declarações individuais de apoio.

Dirigentes petistas veem no surgimento do nome de Dirceu uma estratégia da defesa dos executivos envolvidos no esquema de tentar associar os desvios na Petrobrás a questões políticas e, assim, fazer com que todo o caso, hoje dividido entre a Justiça Federal no Paraná e o Supremo Tribunal Federal, seja julgado na instância máxima.

Para os petistas, tentativa semelhante tinha como alvo o envolvimento do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, no caso. A ordem é evitar a qualquer custo a associação, mesmo que isso contrarie os interesses de Dirceu, que tenta retomar suas atividades políticas depois de quase um ano preso.

A revelação de que Dirceu tinha empreiteiras entre seus clientes não surpreendeu os petistas. Isso não diminui, porém, a preocupação com os estragos à imagem do partido justamente no momento em que tenta colocar em prática uma estratégia de tolerância zero com a corrupção. A meta é reabilitar a imagem do partido para reconduzir Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto em 2018.