Visita de Jaques à Câmara de Barueri resulta em bate-boca com irmão de Rubens Furlan



 
A sessão da Câmara Municipal de Barueri realizada anteontem foi bem tumultuada com a presença do vice-prefeito e secretário de Educação Dr. Jaques Munhoz. Isso porque a visita foi feita como uma “prestação de contas” do setor, em especial, esclarecer a respeito da demanda de vagas na rede no ensino. No entanto, o que predominou foi o bate-boca com o vereador Toninho Furlan (PMDB), pertencente ao grupo do ex-prefeito Rubens Furlan. Durante a presença do Dr. Jaques, não faltaram acusações de ambos os lados.

De início, foram feitas perguntas sobre o relatório do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) a respeito do suposto superfaturamento na compra de kits escolares, hipótese rechaçada pelo secretário. O caso foi apresentado pelo jornal “O Popular”, o qual Dr. Jaques acusou de ser gerenciado pelo grupo político rival na cidade. “É direito de a imprensa ser livre, mas é um jornal de direcionamento político, cujo dono é ex-secretário de Comunicação do governo anterior e o sócio dele é assessor da deputada Bruna [Furlan]. O objetivo é direcionamento político sem buscar os fatos. Não podemos respeitar quem quer prejudicar a atual gestão”, retrucou.

Sobre as acusações, ele explicou que o Tribunal de Contas faz apontamentos e pede esclarecimentos. “Compete à Educação fazer a entrega e distribuição, e foi feito. Foi feita uma auditoria no Tribunal de Contas, mas não houve uma sentença de nada irregular. Não existe superfaturamento”, defendeu-se. 
O que ajudou a esquentar o clima foi quando Dr. Jaques iniciou os comparativos com a gestão anterior, a qual não poupou críticas. Segundo ele, grupos políticos usavam vagas na rede municipal do ensino para tentar garantir votos de pessoas de fora de Barueri, o que comprometeu o serviço aos moradores da cidade. "Faltava cinco mil vagas nas maternais. O achatamento do salário da educação, foi cerca de 40% do salário do professor, foi assim que recebemos a educação e não podemos aceitar mais. E não podemos usar o sistema de Barueri para eleger um candidato ou candidata", enfatizou sem citar nomes.

Todavia, isso foi suficiente para que a cordialidade fosse substituída por um clima hostil. Toninho Furlan reclamou que o governo anterior sempre é responsabilizado nos discursos da atual gestão. “Estamos aqui para perguntar para o secretário sobre a questão das vagas, mas ele quer ser um camarada agressivo e arrogante e não é tão honesto quanto diz aqui”, atacou.

Foi o suficiente para que os vereadores Carlinhos do Açougue (DEM) e Miguel de Lima (PDT) tomassem as dores. Mas o próprio Dr. Jaques optou em reviver antigas rixas políticas iniciadas na própria Câmara barueriense. "Ele [Toninho] faz um discurso político, mas pode procurar meu nome no Fórum e vai ver que é limpo, o do irmão dele não é. Mas não quero discutir gestão, fui presidente da Câmara com orçamento de R$ 20 milhões e economizei mais de R$ 5 milhões e fizemos reforma administrativa. Ele foi presidente quatro vezes com orçamento de R$ 80 milhões, não conseguiu devolver R$ 1 milhão e não fez concurso nenhum. Então, não quero discutir gestão porque você não tem capacidade para isso", provocou.

O bate-boca continuou até a intervenção do presidente da Câmara Chico Vilela (PTB) dar o desfecho. Visivelmente constrangido com o episódio, Chico agradeceu a presença do Dr. Jaques, e sugeriu que o “debate” fosse realizado em outra ocasião. 


Diario de Osasco