Vereador Jânio sugere a Carlinhos que “coloque melancia no pescoço”



Foi aprovado na Câmara Municipal de Barueri o Projeto de Lei do Executivo que autoriza o município a fazer concessão administrativa de uso de um terreno à Igreja Adventista. O espaço está localizado na Avenida Andrômeda, loteamento Green Valley, e será destinado para implantação do projeto social "Mais Vida". Porém, o que parecia ser uma discussão simples, se tornou palco de um embate político no legislativo barueriense.

Isso porque, no ano passado, o projeto tinha sido apresentado na Câmara, mas encontrou barreiras por parte do antigo bloco de oposição, que hoje compõe a base do governo do prefeito Gil Arantes.

O vereador Carlinhos do Açougue (DEM), líder do prefeito na Câmara, recordou que, por questões políticas, essa concessão não foi aprovada na administração anterior. "Na época, não votamos nesse projeto. A base aliada não votava nos nossos projetos e entendemos que esse não era viável para se votar. Hoje, ele volta a essa Casa, até porque as igrejas estão no dia-a-dia da nossa população e em nosso benefício, tirando pessoas das ruas, das drogas e evangelizando nosso povo. Desculpe pela legislatura passada", disse o democrata na tribuna.

Entretanto, a postura de Carlinhos não foi vista com bons olhos por alguns de seus colegas parlamentares, que o acusaram de fazer demagogia política à custa de um projeto social no município.

"O lado que está sendo discutido é o social e educacional. Quando quiser fazer demagogia, eu ponho uma melancia no pescoço, e vou sair em praça pública", disparou o vereador Jânio (PMDB) enquanto Carlinhos cumprimentava líderes representantes da Igreja Adventista.

Toninho Furlan (PMDB) também colocou mais lenha na fogueira. O peemedebista defendeu que é preciso separar projetos sociais dos políticos. Toninho parabenizou o prefeito Gil Arantes por retomar a concessão, mas não perdoou alguns colegas. "Votaram contra porque queriam atrapalhar e nisso, tomaram [um tempo de] quase um ano. Quem mais perde é quem precisa", alfinetou.

Para esfriar os ânimos, o presidente da Câmara, Chico Vilela (PTB) sintetizou a situação. "Era o momento político, estávamos em campanha e na época queriam fazer política. Votamos contra a concessão da área, mas hoje, o momento político é outro", esclareceu o petebista.

No texto do projeto, a entidade terá que se comprometer com o início da construção de um complexo em até um ano, com conclusão em, pelo menos, 36 meses. A propositura ressalta que o local será destinado somente para viabilidade do projeto social "Mais Vida", de caráter educacional, social e assistencial.