Furlan corta cestas básicas de carentes em Barueri



Nos meses que antecederam a eleição houve até mutirão para entregar cestas aos sábados e domingos, inclusive à noite. A ordem agora é cortar parte do cadastro de famílias carentes de Barueri 



O prefeito ausente de Barueri, Rubens Furlan esperou o resultado da eleição de 7 de outubro, na qual seu candidato foi derrotado, para determinar um corte na entrega de cestas básicas que, em tese, deveriam ser distribuídas para famílias carentes do município.

O caso fica nebuloso e estranho ao se saber que meses atrás o prefeito ausente de Barueri mandou que se aumentasse a cota mensal de distribuição de cestas que sempre foi de 15 mil unidades mês. O esquema de distribuição é bimestral ou seja as famílias que recebem a cesta básica em agosto só voltam a recebê-la em outubro.

A empresa que venceu a concorrência para o fornecimento das cestas faz entregas quase diárias mas sempre dentro do limite de 15 mil unidades mês. Nos meses de julho, agosto e setembro, no entanto, a Secretaria de Ações Sociais e Cidadania, SASC, promoveu um verdadeiro mutirão de entregas de cestas. Em setembro, um mês antes da eleição, cestas foram entregues, a título de antecipação, inclusive aos sábados e domingos.

Segundo informações foi de 15 mil para 17 mil o número de cestas entregues nos meses que antecederam a eleição. A determinação agora é voltar aos números de rotina. “A senhora confirma o corte de duas mil cestas?”, foi a pergunta da reportagem ao que a funcionária respondeu: “Não sei exatamente quantas, mas a ordem que temos agora é para cortar”. O gabinete do prefeito ausente e a secretaria de Comunicação foram procurados pela reportagem sem retorno até o fechamento desta edição.

Um possível aumento de casos de vulnerabilidade social em Barueri, justificativa para o aumento da distribuição de cestas, não encontra respaldo nas informações oficiais sobre os indicadores de miséria e pobreza no município. 

O possível uso de cestas básicas com objetivos eleitorais pode ser uma nova descoberta de como os serviços públicos foram utilizados pelo prefeito ausente de Barueri em favor de candidaturas políticas e vem se somar a outras manobras como funcionamento 24 horas das policlínicas (elas já voltaram a funcionar 12 horas), do remédio farto e entregue em casa (agora há falta de medicamentos diversos inclusive para tratamento de diabetes e controle da hipertensão) e dos mutirões para a realização de exames no Hospital Municipal, quando os pacientes eram buscados em casa, com transporte gratuito.

Passada a eleição e, com a derrota do seu candidato, Rubens Furlan determinou a suspensão de todas as requisições de compras. Nas secretarias já há falta de copos descartáveis e papel higiênico. “A gente ouve dizer que o prefeito está uma fera com o funcionalismo por ter votado contra ele”, diz um servidor da Saúde. Demissões também já começaram a ocorrer.