Após desocupação, sem-teto acampam em frente à Prefeitura




Sem casa e sem ter para onde ir com os filhos, cerca de 100 moradores da Vila Maluca, área particular invadida, há cerca de 10 meses, na divisa entre Jandira e Barueri e que sofreu ação de reintegração de posse, na manhã da última terça-feira, montaram um acampamento em frente à Prefeitura de Barueri.

Eles passaram a última noite no local e, no final da tarde de ontem, tiveram uma boa notícia. O prefeito Rubens Furlan se reuniu com os moradores e anunciou que as 52 famílias serão atendidas pelo Programa Habitacional de Barueri (Prohab). Além disso, terão imóveis alugados, pela própria administração municipal, por 1 ano. E, a curto prazo, ficarão abrigadas provisoriamente na escola Elvira Sales Nemer, em frente à Secretaria de Ações Sociais de Cidadania, recebendo também alimentação. Os sem-teto serão ainda cadastrados em nos programas sociais da prefeitura.

Enquanto permaneceram em frente à prefeitura, para pressionar por atendimento no programa habitacional, os moradores ficaram sem móveis, alimentos e até roupas, pois todos os seus pertences foram levados, após a reintegração, para um galpão na Penha, na Capital, cedido pela Justiça. Um ônibus, com banheiro, serviu de apoio para mulheres e crianças. Pães, água e refrigerantes, doados pela população, foram a refeição.

“Não tivemos nem como trocar de roupa porque foi tudo com o caminhão”, relatou Joyce Mendes de Souza, 16 anos, que se abrigava do sol forte, na manhã de ontem, sob um guarda-chuva, com a filha de quatro meses, Maria da Penha. Segundo ela, a situação só não foi pior porque, na noite passada, um vizinho da prefeitura permitiu que ela dormisse em sua casa, com a criança. 

A área ocupada pertencia ao INSS e foi vendida a uma empresa, que ingressou com a ação de reintegração de posse. Após a derrubada das moradias, todas de madeira, as famílias tiveram a oferta de ficarem em abrigos provisórios em Barueri e Jandira, mas a grande maioria recusou essa alternativa.

Na sequência, os sem-teto seguiram para a frente da Prefeitura de Barueri. Eles afirmam que escolheram a cidade porque, embora a área fique na divisa com Jandira, utilizam todos os equipamentos públicos de Barueri, moravam na cidade antes da invasão e também votam no município.

As famílias também afirmam que não quiseram ir para o albergue porque teriam que deixar seus filhos no Conselho Tutelar. “Morávamos em uma favela, mas somos dignos e em nenhum momento abandonaríamos nossos filhos, nem se eles tivessem que passar fome”, explicou Aline Pereira Barbosa.

Um dos líderes do grupo, André Nunes Gonçalves, contou ainda que o grupo foi vítima de estelionato. Um dos moradores da área apresentou às famílias uma mulher, que se dizia representante da Prefeitura de Barueri, e que colheu assinaturas dos moradores sob justificativa de que receberiam indenizações para deixar o local. Alguns chegaram a pagar ainda R$300 para serem supostamente inscritos em um projeto habitacional. Mas o que eles estavam assinando, na verdade, era a notificação de despejo. “Ela roubou a gente e ainda falou que concordamos com a desapropriação”, afirmaram.
diario de osasco