Entrevista com Antonio Carlos Marques (Vereador em Barueri – PDT)






“Eu vi na política a possibilidade de melhorar a saúde e espero ver em Barueri a melhor saúde de São Paulo” 
Antonio Carlos Marques foi eleito vereador em Barueri com 5760 votos e está em seu primeiro mandato. Doutor Antonio, como é conhecido, afirma que pretende concorrer à reeleição porque ainda não se sente realizado como vereador. Dentre os assuntos abordados nesta entrevista, o parlamentar fala sobre os projetos que apresentou para Barueri e discorre sobre o cenário político-eleitoral da cidade, que hoje tem como pré-candidatos Carlos Zicardi (PMDB), vice-prefeito de Barueri; Gil Arantes (DEM), deputado estadual; e Ronaldo Ferraz (PT), presidente do PT municipal.

Priscila Nishimori
(politica@webdiario.com.br)

Quais foram os principais projetos apresentados pelo senhor na Casa?
Nós tivemos vários projetos. Acreditamos que o vereador está na Câmara para legislar e fazer projetos. Por ser médico obstreta, um dos projetos que nos orgulhamos muito é o projeto do parto sem dor, que é a Lei Maria.

O que é esse projeto?
Durante o trabalho de parto o médico consegue fazer na paciente uma analgesia, que não tira completamente a dor, mas ameniza muito. Dessa forma a mãe consegue relaxar e ter um parto sem dor. Com isso aumenta-se a incidência de partos normais, diminui o período de partos e, portanto, conseguimos dar uma assistência muito melhor à paciente. Esse projeto foi aprovado na Câmara.

E já acontece em Barueri?
Eu conversei pessoalmente com o prefeito [Rubens Furlan - PMDB] para instalar o projeto, porém na maternidade esse projeto não está sendo executado e temos cobrado muito. Na sessão solene do aniversário da cidade eu me pronunciei em público e pedi à primeira-dama [de Barueri] que ela solicitasse ao prefeito a execução desse projeto que já é lei no município.

Existem outros projetos?
Existem vários outros. Tem um em que todos os papéis e documentos que iriam para a Câmara e para as Secretarias fossem utilizados frente e verso. Com isso conseguimos diminuir em 50% o uso de papel e estamos ajudando o meio ambiente. Devido às várias crueldades feitas contra os animais nós criamos o "disque-denúncia" para a pessoa denunciar os maus tratos de animais.

Durante muito tempo o senhor foi da oposição. Como aconteceu esse seu posicionamento político na cidade?
Eu tentei trabalhar junto [ao governo] quando comecei o meu mandato. No primeiro pronunciamento que fiz eu disse que seria oposição ou situação, iria depender do referencial porque o referencial é sempre o povo. Se os projetos do prefeito andassem junto as nossos projetos a favor da população nós estaríamos juntos, caso contrário, não estaríamos juntos. Então eu tentei nesse trajeto compor com o prefeito e manter os projetos, mas quando eu percebi que o referencial dele não compactuava com o meu em relação ao povo eu caminhei em caminho contrário.

Como está a situação na Câmara atualmente?
Hoje as sessões são mais tumultuadas e as pessoas levam para o lado pessoal.

O senhor pretende tentar a reeleição?
Pretendo porque não me sinto totalmente realizado. Foi a população quem me elegeu para transformar muitas coisas na cidade e conseguimos muitas mudanças. Hoje existe um respeito maior ao vereador. Porém eu ainda estou frustrado em relação ao mandato porque vários projetos não são executados, portanto eu vou me desdobrar e fazer o possível para ser eleito e fazer o meu prefeito. Fazer o possível para que possamos colocar de uma forma mais respeitosa os anseios da sociedade, principalmente na área da saúde.

Como o senhor vê o fato de Barueri ter três candidatos a prefeito? Isso é bom para a cidade?
Quando se tem mais de uma opção é sempre bom porque força o candidato a mostrar qualidades, portanto é importante que sempre exista opção. Quando se tem oposição você depende de pessoas, depende de conversas, articulações, e para isso é importante que tenha partidos fortes, pessoas disputando o poder e mostrando suas ideias para que possamos crescer.

Como o senhor vê a disputa eleitoral deste ano?
Será uma disputa difícil. São três opções. Em Barueri nós temos o pré-candidato Carlos Zicardi (PMDB), que é atual vice do Rubens Furlan, o Gil Arantes (DEM), e o Ronaldo Ferraz (PT). Essas duas últimas opções têm os mesmos ideais que é ir contra o autoritarismo e deixar a política muito mais democrática.

O que motivou o senhor a entrar na política?
Foi gostar do ser humano. Eu sou médico e quero terminar os meus dias trabalhando como médico. Eu queria ver o que eu faço no meu consultório para uma família ser realizado de uma forma muito mais ampla. Enquanto médico fico triste em ver uma medicina voltada apenas a pronto-socorro onde se disputam as vagas. Eu vi a possibilidade de melhorar a saúde na política e volto a dizer não tive esse amparo com o governo atual, mas isso me fortalece a buscar novos amigos e novos apoios. Eu sou médico e estou vereador. Espero ver em Barueri a melhor saúde de São Paulo.

O seu nome já foi cotado para vice de Gil Arantes?
Fui cotado pelo próprio Gil. O partido [PDT] se colocou incondicionalmente à disposição, inclusive, foi o primeiro partido a se colocar junto à pré-candidatura de Gil Arantes. Mas irá acontecer o que for melhor para o grupo político. Fico lisonjeado pelo convite de Gil, pela cogitação do meu nome, porém eu trabalho para ser vereador da cidade junto com o grupo, que também tem outros nomes como o doutor Jaques Munhoz (PTB).

Então ainda não foi descartada a possibilidade de seu nome como vice?
Em política sempre é possível, mas hoje eu trabalho para buscar muitos votos e muito apoio ao Gil. Se amanhã o meu nome estiver como vice eu estarei à disposição.

Com a entrada do PT na disputa pela prefeitura o senhor acredita que pode acontecer um segundo turno?
Não acredito que haverá segundo turno, mas tudo é possível. Acredito que a força do PT esteja nos ideais do PT e os ideais do PT compactuam com esse grupo, liderado pelo Gil Arantes.