“Podemos ter um Pinheirinho em Carapicuíba”, diz MTST





Reintegração de posse na área da Savoy está marcada para 6 de março e movimento orienta membros a resistirem. Com isso, ação pode ter confronto com a PM e deixar 800 famílias na rua, como acontecem em São José dos Campos 

A cidade de Carapicuíba pode sediar um episódio semelhante ao ocorrido em São José dos Campos, Interior do Estado, este mês, quando uma ação de reintegração de posse colocou em confronto policiais militares e ocupantes da área conhecida como Pinheirinho, terminado com dezenas de feridos e milhares de famílias nas ruas, sem ter para onde ir.

Uma ordem judicial de reintegração de posse atingirá cerca de 800 famílias, que vivem desde 2006 em um terreno no Jardim Tonato. A ação está marcada para o dia 6 de março, e foi tema de uma reunião do 33º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Carapicuíba, na semana passada.

De acordo com Jota, um dos líderes do movimento, a orientação é para que as famílias resistam à ação de reintegração. Com isso, segundo ele, o episódio do Pinheirinho pode se repetir. “São quase 800 famílias que correm o risco de ficar na rua, a exemplo do que aconteceu em São José dos Campos. Não queremos mais um caso Pinheirinho. Vamos lutar para segurar essa ação, e preparar a resistência junto às famílias”, revelou.

O terreno ocupado possui cerca de 17 mil metros quadrados e é propriedade da Savoy Imobiliária e Construtora. As famílias ocuparam o local em 2006, e desde então, pressionam a administração municipal para que seja criado um projeto de habitação para os sem-tetos. Na ocasião, o então prefeito Fuad Chucre prometeu que incluiria as famílias em um projeto habitacional, mas nada foi feito até agora. A Prefeitura de Carapicuíba, na gestão de Sérgio Ribeiro, informou, por meio de nota, que “está buscando soluções junto aos governos Estadual e Federal”.

Já houve outras decisões judiciais para reintegração do terreno, mas as famílias conseguiram o direito de permanecer no local provisoriamente. Desta vez a Savoy está disposta a levar o caso a diante. “O cumprimento da decisão judicial de reintegração de posse vem sendo indevidamente obstada há mais de 6 anos”, afirmou, em nota, o assessor da diretoria do grupo, Otávio Caetano.

Já a PM descarta um confronto. Segundo o departamento de Relações Públicas do 33º BPM, “a ação de reintegração de posse está em negociação e deve ser o mais pacífica possível”.