Entrevista com Paulo Henrique Barjud (Ex-prefeito de Jandira)


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“Quando a população souber que sou pré-candidato, não vou precisar colocar propaganda em lugar algum, porque o povo sabe da minha história e como eu sou”. 



Em 1998, Paulo Henrique Barjud, mais conhecido como Paulinho Bururu, conquistou a primeira cadeira de vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em Jandira. Além disso, ele também foi o primeiro petista a governar a cidade. Bururu se diz orgulho pela gestão dele enquanto prefeito, mas ainda possui outros projetos que gostaria de trazer para a cidade. Entretanto, para conseguir isso, o ex-prefeito teria que vencer duas barreiras, a pesquisa do Ibope que deve definir o candidato do PT a prefeito e s eleições municipais.

Quais são suas expectativas para a pesquisa do Ibope que será feita em Jandira para definir o candidato do PT na cidade?
Esse acordo foi feito no mês de abril de 2011. Estávamos na casa da vereadora Maura [Soares], quando convidei o vereador [Reginaldo Camilo dos Santos, o] Zezinho e [o presidente do PT de Jandira, Julio Eduardo de Lima,] Julinho para colocarem os nomes deles para pré-candidatos a prefeito. Tive essa idéia pela experiência que a vida me deu nestes oito anos de governo e oito anos de vereador na cidade, pois aprendi que ninguém é dono do poder. Então, propus que os companheiros colocassem os nomes para que o melhor na pesquisa fosse o candidato do PT.

Mas com isso, o senhor não estaria criando o seu próprio adversário dentro do partido?
A minha vida inteira sempre trabalhei criando lideranças. O vereador [Geraldo Teotônio da Silva, o] Gê é um vereador que veio depois de mim. Fui o primeiro vereador na história do PT em Jandira na década de 80, depois veio o Julinho, a Maura e o Zezinho. Tenho uma participação muito singela dando uma contribuição na formação de quadros na cidade e, por isso, achei que seria muito digno abrir esse espaço para eles almejarem esse espaço. Em novembro de 2011, comecei a sentir que era forte o desejo por parte da população para que eu voltasse a ser prefeito. Vou disputar seis eleições em Jandira e não uma, a primeira será a decisão do candidato pelo PT. A segunda é a questão financeira, tenho honra em dizer que não vou depender de ninguém financeiramente. A terceira será a questão de mostrar à Justiça que não sou criminoso e não sou bandido, tenho uma história de vida, não sou qualquer um. Em quarto, não vou deixar caça níqueis na cidade, bares abertos depois das 22h e nem deixar que a droga consuma e destrua as crianças da nossa cidade. A penúltima será a disputa com os pré-candidatos Mara, Dra. Anabel, Gê, Paulinho Barufi e Dr. Sato. Por fim, terei uma eleição espiritual. Jandira está muito triste espiritualmente, naquela cidade existe algo muito maldoso que anda por ali, uma nuvem negra. Nos oito anos do meu governo ganhei vários prêmios de prefeito empreendedor do SEBRAE, prêmios internacionais do Japão, EUA e Chile. Fiquei entre os 100 melhores prefeitos do Brasil em gestão administrativa. Nesta época, só via matérias boas sobre Jandira, como a queda da mortalidade infantil, redução dos casos de dengue, tuberculose, diminuição no índice de criminalidade. A cidade estava entre as cinco piores e entreguei como a 13° mais segura do estado. Quando a população souber que sou pré-candidato, não vou precisar colocar propaganda em lugar algum, porque o povo sabe da minha história e como eu sou.

Quais pré-candidatos seriam os piores adversários para o senhor nas urnas?
O que não tiver propostas para a educação, saúde, segurança, questões para o meio ambiente, para as crianças, adolescentes e idosos. Só tem uma pessoa que pode vencer a eleição de mim mesmo, eu. Não quero ser arrogante, mas, por enquanto, eu não fui para as ruas, não fui comparar governo, não fui falar o que fiz e o que quero fazer. Não vou falar mal dos candidatos

O que o senhor acha desse método do partido de escolher em pesquisa ao invés das prévias?
A ideia é para que o partido possa sair unido nessa eleição, em uma característica única ao invés de ter que fazer prévia, o que infelizmente ou felizmente é bom acontecer, pois a prévia só é boa se unir, se dividir é ruim. Quando o Julinho e o Gê colocaram os nomes para as prévias, o PT saiu dividido. Porque, o Ge não fez campanha para o Julinho. Esse ano não acontecerá isso da minha parte, do Zezinho e Julinho. Fizemos um acordo entre cavalheiros em que qualquer nome que saia, o partido terá consenso de apoiar. Não terá racha. Eu até quero mandar um recado para os pré-candidatos dos outros partidos, o PT unido é como se fosse um furacão. Hoje, os adversários estão sonhando para ter um racha e para que o Julinho, Paulinho e Zezinho apóiem outra candidatura, mas, para nós o que vale primeiro é a população de Jandira.

Existe a possibilidade do PT, em Jandira, sair com chapa puro sangue?
O vice tem que ser de um partido que não seja puro sangue, porque os votos que temos é comum do PT, algo em torno de 25% a 30%. Temos que buscar pessoas que possam contribuir com o processo, com ideias, para tematizar programas com outros setores, assim como o PT faz em nível nacional, em vários estados e municípios. Quanto a questão de coligações, tem muitos partidos que não definiram ainda esses pré-candidatos.
O PSDC me apóia, se eu for candidato, tem uma conversa que está sendo amadurecida com o PR e o PP. Se decidirem pelo meu nome juntaram uns 6 ou 7 partidos em volta.

Qual seu ponto de vista sobre a violência na cidade e como pode mudar isso?
Jandira precisa de uma injeção de auto-estima. Comecei uma campanha com alguns amigos chamada: “Jandira, nós somos do bem”. Mas para mudar isso, temos que usar mão de ferro para algumas coisas como fechar os bares às 22h, criar alternativas para derrubar as drogas, investir em educação, cultura, esporte e lazer, tirar os caça níqueis da cidade e levar alegria para Jandira. O município possui 350 igrejas, tem muita fé lá. Precisamos resgatar essa fé com alegria e perseverança.

O que o senhor faria de diferente no caso de ser eleito?
Na saúde tenho a ideia de criar um grande Pronto Socorro na cidade, que tenha no primeiro andar emergência, seguido por geriatria, pediatria, obstetrícia e no último andar, um acompanhamento de excelência. Implantaria farmácias dentro dos postos, o remédio em casas, voltaria com o projeto odontológico e, por fim, quero implantar em Jandira um sistema para servir de exemplo para o Brasil inteiro, a bolsa acompanhamento. Uma bolsa auxílio para quem tem um familiar que não pode andar, que está no leito, que precise de frauda ou de medicamento. Um acidentado, uma pessoa com derrame ou problema cardiovascular, pois ele não pode ficar a vida inteira no hospital e ao implantar esse projeto, seria fornecida uma bolsa para os familiares cuidarem deles em casa.

Também quero fazer um trabalho muito forte de prevenção as drogas, quero pegar o programa do Proerd [Programa Educacional de Resistência às Drogas] e adequar no currículo escolar, criar algumas alternativas na questão da geração de empregos e de renda, porque Jandira é uma cidade que não tem mão de obra qualificada e precisa criar essa alternativa. Outra coisa, na minha cidade não tinha cracolândia quando eu era prefeito, ela se instalou na divisa de Jandira e Itapevi, onde moças de 13 a 16 anos estão atuando como olheiras dos traficantes.

Caso a pesquisa aponte o seu nome como o candidato do PT, como será encarar o Gê, um ex-PT, nas urnas?
Vai ser um prazer disputar a eleição contra um ex-companheiro do PT. Para mim, quem sai da sigla partidária do PT está saindo de uma das instituições mais sérias construídas nesse país. Ela foi erguida na tortura, por sindicalistas, por pessoas que sofreram muito. O PT é um grupo grande de pessoas que está no poder e que se uniram num único objetivo. Quem saiu do PT está procurando política para interesses próprios. E hoje, o Gê está muito bem nas pesquisas porque muita gente pensa que ele ainda está no PT, mas quando aparecer o candidato do PT em Jandira, as coisas mudam.

Tradicionalmente Jandira sai com três candidatos, nesse ano há 6 ou 7 pré-candidatos. O senhor acha que eles vão permanecer ou vão migrar?
Uma coisa eu posso afirmar, se eu for escolhido para ser candidato do PT haverá candidato até o final, aconteça o que acontecer. Quanto aos outros, eu já vi muita gente falar que é candidato e de repente não é mais. Batem no peito, fazem discursos maravilhosos e não são mais candidatos.