Para Bururu, acusações não atrapalham candidatura



 Ex-prefeito é o nome mais cotado do PT para disputar a Prefeitura de Jandira, mas foi preso, em março desse ano, por porte ilegal de armas e ainda é apontado como membro da “Máfia da Merenda” 


Apesar de quatro nomes estarem na lista do PT para disputar a Prefeitura de Jandira, é o de Paulo Henrique Barjud, o ex-prefeito Paulinho Bururu, que desponta como o possível ‘escolhido’. Ele já foi cogitado pelo deputado federal e pré-candidato a prefeito de Osasco, João Paulo Cunha, e pelo coordenador da Macroregião do PT, Valdir Roque.

Bururu já declarou que deseja voltar à administração da cidade que governou por oito anos e que a sua vida política “um pouco conturbada” não vai atrapalhar seu sucesso nas urnas. 

Em 30 de março deste ano, Bururu foi preso após agentes da Polícia Civil encontrarem sem registro, em sua residência, uma espingarda de cano cerrado e uma pistola calibre 380, além de munições. No entanto, o ex-prefeito foi solto no mesmo dia, após a Justiça de São Paulo expedir um pedido de liberdade provisória, podendo assim responder em liberdade o processo por porte ilegal de armas.

“Essa questão do porte ilegal não pode atrapalhar [a candidatura] porque, até agora, não tem processo”, disse Bururu. Ainda assim, segundo ele, caso elas reflitam no desenvolvimento de sua possível candidatura, há a possibilidade de recorrer na Justiça. “Só pode atrapalhar se for julgado e transitado e, mesmo assim, eu poderia recorrer ao Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal”.

Na versão do ex-prefeito, a visita da Polícia Civil a sua casa já era esperada. “Um mês antes eu fui até o delegado pedir para ele recolher em casa as armas. Ele falou que iria mandar um investigador da Polícia Civil com termo de trânsito. Mas, para a minha surpresa, a Polícia Civil de Barueri apareceu com o pessoal do Ministério Público. Entreguei as armas. Inclusive, uma delas era uma PT 380 com porte e registro, mas o registro já estava vencido e eu tinha até iniciado o trâmite de renovação, porém não queria mais arma”.

Apesar de ter “agendado” o pedido de retirada das armas, a mesma operação da Polícia Civil com o Ministério Público realizada na residência de Bururu também aconteceu nas casas do atual presidente do PT, Julinho; do ex-secretário da Educação, Paulo Fernandes Cubaquini; e do assessor de Bururu, Damásio Nunes de Carvalho. Nos locais foram apreendidos documentos, computadores e dinheiro.

Mas as acusações na vida de Bururu não começaram com a apreensão das armas. Ele também é acusado de estar envolvido na ‘Máfia da Merenda’ por supostas irregularidades no fornecimento de merenda escolar durante sua gestão na prefeitura. Suspeito de cobrar propina na contratação de uma das empresas que forneciam alimentos às escolas municipais de Jandira, o ex-prefeito é investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). “Se virar processo, vamos à Justiça”, disse Bururu.

Além disso, em abril, a Justiça determinou o seqüestro de 12 imóveis do ex-prefeito e, em maio, o juiz Seung Chul Kim, da 1ª Vara Distrital de Jandira (Comarca de Barueri), estabeleceu ainda a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-prefeito, de Damásio Nunes de Carvalho, e de Julinho. Questionado se os bens continuam bloqueados, Bururu apenas afirmou que “tem todos os bens declarados no imposto de renda”.

Independente dessas polêmicas, o PT de Jandira decide, até o final deste ano, quem será seu candidato. Segundo Bururu, está sendo realizada na cidade uma pesquisa com o nome dos quatro pré-candidatos: além do seu, os vereadores Maura Soares e Zezinho, e o presidente do PT, o Julinho. “O nome que sair melhor colocado na pesquisa será o candidato”.


fonte:diario de Osasco