Osasco terá o primeiro casamento gay na próxima segunda-feira



A União Civil entre homossexuais está oficializada no Brasil desde maio, mas só agora Osasco terá seu primeiro casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. A enfermeira Mari Zila, 40, e a bancária aposentada Elizabeth Oliveira, 55, oficializarão sua união às 11 horas da próxima segunda, 12, no 2º Cartório de Registro Civil de Osasco, na rua Pedro Fioretti, 240. Elas têm um bar GLS no Centro. Para a reportagem disseram que estão muito felizes pela conquista e que pretendem transformar o evento num marco para que seja criado o Primeiro Casamento Comunitário Gay da cidade.

No entanto, Mari e Beth estão contrariadas com alguns empecilhos que encontraram para se casarem na Justiça. “Quando procuramos o Cartório, nos perguntaram se a gente conhecia algum casal gay que conseguiu se casar. Dissemos que não, mas que a lei autorizava e ponto final. Uma semana depois, a juíza deferiu a favor, só que não poderemos ter padrinhos e madrinhas, nem nos casar num sábado”, disse. “Sem contar que uma funcionária do Cartório fará a entrega da certidão de casamento e não a juíza. A desculpa é que ela está de férias. Não há juiz substituto?”, questiona Mari. Elas procuraram o vereador Fábio Yamato, que recomendou que elas fizessem um dossiê com as reclamações. “Um casal hétero gasta R$ 275 para se casar. Nós já gastamos mais que R$ 800”, reclama.

Elas foram apresentadas por uma amiga comum há cinco anos. Eram boas amigas, mas só foram morar juntas no ano passado. Mari já foi casada e tem 3 filhos. “Casei com um homem por pressão da família evangélica. Um dia resolvi dar meu grito de liberdade”, explica. Beth teve uma relação de trinta anos com outra mulher, que morreu de câncer, em 2006. “A família dela queria tomar tudo, mas por sorte, nossos bens estavam em meu nome. Isso é uma prova da importância da união civil”, teoriza Beth, que não contou para a família que vai se casar. “Eles são do Sul e desde que vim para cá, a gente mal se fala”. Ambas deixaram todos os seus bens um no nome da outra.

Elas estão acostumadas a lidar com o preconceito. Como pretendem morar com os filhos de Mari, elas estão procurando uma casa maior. “O corretor de imóveis me perguntou se eu era casada e o nome da pessoa. Eu respondi: ‘Mari’. Ele perguntou: ‘Mário?’ Eu insisiti: ‘Não! Mari. É mulher”.