Barueri não tem educação


Nota média das instituições de ensino da cidade é inferior a “6” das avaliadas escolas com qualidade

 Por André Bittencourt

Carapicuíba, com população de quase meio milhão de pessoas espera arrecadar neste ano, com sorte, cerca de R$ 360 milhões para investir em todas as enormes demandas da cidade. A cifra da cidade vizinha mal empata com os R$ 355 milhões investidos pelo governo de Barueri na educação, cujas escolas têm média inferior a 6, segundo o Ideb.
“Esta escola não tem uma educação de qualidade. Converse com seu diretor e descubra como você pode ajudar”. Esta é a frase dita pela atriz Malu Mader em referência a 48 das 54 escolas de Barueri pesquisadas no site do Ideb que ficaram abaixo da média 6. Quatro escolas nem nota receberam.
Os números podem ser consultados no site oficial da entidade o: http://educarparacrescer.abril.com.br/nota-da-escola/. É mais uma fonte que comprova a necessidade de mudança da política educacional conduzida por Celso Furlan, secretário afastado de suas atribuições por seu irmão e prefeito Rubens Furlan (PMDB), após denúncias.
Barueri espera arrecadar em 2011 cerca de R$ 1,6 bilhão, destinados para a demanda de uma população de 250 mil pessoas. A maior fatia deste orçamento será destinada para educação, com R$ 355 milhões, contra R$ 322 da saúde e R$ 251 milhões para obras.
Mesmo tendo um dos maiores orçamentos do Brasil para o setor educacional, a prefeitura de Barueri conseguiu manter o nível da qualidade de ensino com nota média de 4, numa escala de 0 a 10.
Lição de Casa
O município governado até 2012 por Furlan está muito abaixo de centenas de cidades de São Paulo, onde ocupa a 243º colocação no ranking paulista do Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados).
As duas únicas unidades de ensino que possuem qualidade, segundo o Ideb são as escolas Maria Theodora Pedreira de Freitas, com nota 8 do 1º a 5º ano, e nota 6,5, do 6º a 9º ano, e a escola Engenheiro Yojiro Takaoka, com nota de 6,8.
O que é o Ideb?
Criado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) em 2007, como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), o Ideb é calculado com base na taxa de rendimento escolar (aprovação e evasão) e no desempenho dos alunos no SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) e na Prova Brasil.
Quanto maior for a nota da instituição no teste e quanto menos repetências e desistências ela registrar, melhor será a sua classificação, numa escala de zero a dez. O mecanismo foi muito bem avaliado por especialistas justamente por unir esses fatores.